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Oct. 14th, 2009

Milinha

(8) horas com ele

A gente faz amor
Por telepatia
Telepatia!
No chão, no mar, na lua
Na melodia...

(Rita Lee – Mania de você)

  

*

  

Com quantas pessoas você consegue conversar durante oito horas seguidas?

 

Não oito horas dizendo coisas. O último lançamento do cinema. A moda primavera-verão de 2009. A loucura do tempo hoje em dia. O que você comeu ontem de almoço.

Não. Não é isso.

 

Ou você só precisaria de uma pessoa que saiba ouvir e tenha algo interessante a dizer, Aquele tipo de pessoa que nem sabe o seu nome do meio opu que você é alérgica a corante amarelo, mas com quem a conversa flui naturalmente durante horas. Essas pessoas não são tão raras assim, você que nem sempre está disposto.

 

(e esse último parágrafo você pode intitular “por experiência própria”)

 

Mas a conversa, essa de oito horas, não é só dizer coisas, é realmente falar. Deixar aquilo que dói em você ter voz. Usar palavras para o que sempre existiu dentro da sua mente (e sempre pareceu que não caberia em frases simples), mas mesmo assim ser entendido.

 

E ouvir aqueles segredos que ficam entrelaçados no silêncio. Como se uma alma falasse com a outra. E saber exatamente porque esse é o clichê mais usado do mundo: porque está quase instinto fora da literatura e porque todo mundo almeja.



*

Aug. 4th, 2009

PaulIcaro

Você sabe o que eu vim fazer aqui?


when you stay at home thinking of those who are long gone or those who are getting kisses from someone that is not you
(Papergirl – Love poem)


Eu poderia fazer um post inteiro sobre o quanto eu senti frio em Curitiba, mas essa é provavelmente a minha resposta para todo mundo que perguntar “E ai? Como foi lá em Curitiba?”. Então não vou perder meu tempo escrevendo sobre isso, mas é importante citar, pois o frio explica muita coisa.


Explica porque eu achei que não fosse ser uma “volta-ao-Rio” tão ruim e melancólica quanto foi a de Salvador. Porque eu voltaria para o calor e finalmente pararia de tremer depois de fazer isso durante 5 dias sem intervalos.

É um bom motivo.

Mas aqui, há algumas horas do embarque, eu descubro que não é motivo suficiente. Que nenhum dos motivos que eu pensei (e eu pensei em muitos, e depois os abandonei e eventualmente pensei de novo) o tempo inteiro é suficiente. Eu sei quais vão ser os pensamentos durante o vôo. Aqueles da série “mais um pouco”.

Mais um pouco de férias.
Mais um pouco de frio.
Mais um pouco de companhia.
Mais um pouco dos momentos legais.
Mais um pouco desse solzinho que (droga!) só apareceu na última hora.

Mas... nada de “mais um pouco” para mim. Daqui a uma hora e meia estou a caminho do aeroporto, mas até lá, estou com os dedos cruzados pedindo para que dê tempo.

É estranho quando você está com uma daquelas pessoas que você quer estar sempre, mas nunca pode. Parece tão certo que soa até normal, como se fizesse parte da rotina, mas você só se dá conta do quanto é alucinantemente bom e do quanto vai demorar para acontecer de novo quando falta uma hora e meia para ir para o aeroporto.

Talvez eu nunca me acostume com as voltas afinal...


 

Jul. 26th, 2009

canon

Encontros e Despedidas

"Melhor ainda é poder voltar
Quando quero..."


Um dos meus passa tempos preferidos (se não preferido, pelo menos, muito freqüente) é olhar preços de passagens de avião para os mais variados lugares do Brasil. Como se a qualquer momento eu pudesse dar uns cliques, comprar passagens e fazer as malas.

 

O pior mesmo é quando eu dou de cara com uma promoção perfeita para o meu orçamento. Com o fator dinheiro não sendo um problema, a obrigação de trabalhar finais de semana e de ter milhões de compromissos com/para a faculdade parecem o pior dos piores castigos do universo.

 

Felizmente, existe uma palavrinha que eu quase tinha me esquecido do prazer que ela proporciona ao ser pronunciada. Mas depois de quatro anos lá está ela: férias.

 

Então, uma conversa aqui, outra ali, milhas da mãe e eu tinha passagens e uma ansiedade tão imensa que eu mal podia me conter!

 

Esbarrar em um mapa do Brasil é sempre meio nostálgico. Dá para marcar de cara, sem pensar muito, umas sete ou oito cidade em que eu ficaria muito mais feliz se estivesse naquele momento. Mas embarcar de volta para o Rio depois de ter estado em um desses lugares é dezenas de vezes mais triste.

 

Porque apesar de todas as promessas de “vamos nos ver logo”, tudo parece gritar que serão longos meses nos quais aquelas pessoas vão de animar e te fazer rir sem que as gargalhadas se misturem em um coro estranho mas que faz você se sentir confortável, no lugar certo. Você sabe que a sua risada será a única na frente do computador por um longo tempo.

 

E isso parece tão irremediavelmente injusto!

 

Você gostaria que naquele espaço de tempo, pouco mais que duas horas dentro do avião, você pudesse pensar em outra coisa, mas tudo que vem a sua cabeça é o quanto é bom poder dar todos aqueles abraços que você não deu no aniversário, no dia do amigo, em outras comemorações aleatória, num dia meio deprê; ou como você quase tinha esquecido o som daquelas vozes; até como é meio constrangedor, mas inegavelmente bom fazer confissões cara-a-cara; ou o quanto piadas de duplo sentido são mais legais e ainda mais freqüentes ao vivo.

 

E as risadas.

 

Elas ficam ecoando na sua memória por algum tempo e depois somem, mesmo que você as queira de volta mais do que tudo.

 

O que me conforta durante o trajeto Salvador/Rio é que eu tenho só quatro dias antes de um próximo embarque, dessa vez para o lado oposto do país. Embora minha mente cruel se encarregue de me lembrar que serão só mais cinco dias antes de ter outra volta melancólica para o Rio, por enquanto eu fico com a ansiedade que antevê mais um encontro.

 

Enquanto eu substituo biquíni e camisetas por casacos e gorrinhos (que eu sei que me renderão coisas como “Para que tanta roupa? Nem ta tão frio assim.”) na mala, eu repito mais algumas vezes a palavra “férias”.

 

Gosto da sensação.

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