É sempre amor, mesmo que mude
Um suspirar cansado. De ambos. Suas testas se encostaram de leve.
“Podia ser mais fácil.” Uma voz murmurou baixinho.
Era a sua.
“É, podia.” Respondeu sem sorrir.
(retirado de uma fic)
*
Algumas coisas nunca mudam.
Cinco anos é tempo suficiente para alguém terminar uma faculdade. Para uma pessoa não conseguir lembrar o nome ou o rosto de alguém. Para uma ferida sentimental cicatrizar. Ou sangrar ainda mais.
Cinco anos e as sapatilhas podem se perder, mas a dança continua a mesma, com aqueles passos que o corpo reconhece. A academia continua a mesma, uma nova pintura ali, umas fotos novas na parede aqui, mas surpreendentemente o mesmo chuveiro, a mesma falha no linóleo que você reparou um dia, o mesmo som.
Cinco anos e as pessoas continuam as mesmas. Alguns centímetros mais altas ou com uns fios a mais de cabelos brancos. Quem era boa continua boa, quem era medíocre continua tentando. Alguém que não sabia o que fazer continua sem saber o que fazer. Só que agora o cenário é novo, está na faculdade, no emprego novo, num novo país.
Cinco anos e as sensações que pareciam perdidas estão de volta. O pé descalço no linóleo. Folhear um livro antigo e rele-lo. A conversa com o melhor amigo que voltou para sua vida. A boca que reconhece a outra boca, como se nunca tivessem beijado outras bocas.
Cinco anos e desapego continua sendo desapego, apesar de doer mais. Êxtase continua sendo êxtase, apesar de ser melhor. As feridas ainda sangram, só que você quer estancar. O amor ainda é amor e ainda dói.
Cinco anos e suas coisas favoritas ainda são favoritas. Mas algumas você não pode mais fazer, o que faz o mundo parecer cruel. O mundo já era cruel há cinco anos atrás e nos cinco antes desses e em milhares de cinco anos anteriores.
Algumas coisas nunca mudam. Só trocam de tênis.
