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Dec. 23rd, 2008

librarian

Emilia, atende o celular!

As pessoas que têm ligado para o meu celular desde sexta têm sido atendidas logo na primeira tentativa e, na maioria das vezes, também logo no primeiro toque.

Esse é um evento que não acontecia a pelo menos dois anos.

Trabalhar em um biblioteca não é como eu pensava. Os meus sonhos de jovem nerd devoradora de livros não foram plenamente realizados. Eu não podia ler tudo que estava ao meu alcance indiscriminadamente o tempo inteiro. Mas... tem suas vantagens. Só de estar no meio dos livros já é uma sensação bastante reconfortante. A resolução fácil de todo e qualquer trabalho da faculdade também é bastante agradável. As oportunidades de conhecer semelhantes (jovens nerds devoradores de livros) é algo interessante. Sem contar que o trabalho de um bibliotecário é... bem... é o que eu gosto de fazer.

E em outro ponto, tem suas desvantagens também. Silêncio por exemplo. Até eu ganhar permissão para plugar meus fones de ouvido no PC e ouvir música enquanto trabalhava, eu quase surtei.Outra situação que isso implicava era o toque do meu celular, que fora completamente banido da minha vida. Mesmo que fora da biblioteca. Porque sempre que eu tirava o bichinho do silencioso, eu esquecia de colocar novamente quando entrava na biblioteca e acabava passando por situações constrangedoras que eram desnecessárias.

Meu celular se transformou em um aparato calado então. O que era o motivo de eu nunca atender as ligações de primeira (nem de segunda, nem terceira, e nem na meia hora seguinte provavelmente).

O fato é que eu não estou trabalhando mais na biblioteca.

Foi uma decisão impulsiva, mas acertada. Eu acho que eu já não tinha mais nada para aprender lá e também não tinha muito mais o que oferecer, estava saturada. Claro que existiam outros motivos, mas esse foi o principal e foi o que eu fiquei repetindo para mim mesma incessantemente na sexta-feira a noite. Porque depois de passar o dia inteiro quase pulando de satisfação por ter férias pela primeira vez em três anos, a noite foi um pouco mais difícil, finalmente caiu a ficha.

Eu trabalhei dois anos lá, e conheci pessoas que sempre me deram o maior apoio e incentivo. Fiz amigos lá. E é sempre muito difícil, para mim, estar longe dos meus amigos (por mais estranho que isso possa parecer já que eu tenho um amigo em cada canto do Brasil). Mas de todo modo, apesar de todas as coisas que eu pensei depois, eu não me arrependo. Preciso de algo novo agora. Aprender mais, sempre.

E então, estou partindo para uma nova fase. Atendendo minhas ligações de primeira agora e pensado no que fazer com todo esse tempo livre.

 

 

*

 

 

Eu queria agradecer todas as mensagens natalinas cheias de carinho que tenho recebido. Infelizmente não estou em clima natalino e não tenho a menor condição de respondê-las. Mas queria que as pessoas que me mandaram soubessem que o carinho delas me deixa muito feliz.

Dec. 3rd, 2008

Chuva

O ano em que o natal não chegou


Eu não sou católica, nem cristã. Então 24/25 de dezembro não possui nenhum significado religioso/místico relevante na minha vida.

Eu não preciso de uma data especial para começar a ser generosa e pensar no bem do próximo. Faço o que posso, penso sempre.

Minha família é unida. Fato. Não somos daqueles que só se vêem em datas especiais. Nos encontramos no mínimo uma vez por semana, passamos e-mail uns para os outros adoidado, ligamos centenas de vezes.

Ou seja, o Natal é inútil para mim.

Nem por isso eu já deixei de comemorá-lo. Minha família nunca precisou de natal, mas nós gostamos dele. Esse negócio de presentes é bem divertido e aquela coisa de cozinhar o dia todo para a ceia e fazer a maior zona sempre foi muito legal.

Nunca foi preciso ligar para combinar como ia ser o natal daquele ano. Natal é natal ué! Casa da vovó? Claro! Comprar tudo da ceia em cima da hora? Claro! Zona na cozinha? Claro! Vovó entregando os presentes? Claro!

Do meio de outubro para o final de ano todo mundo já se sente no clima de festas. Já é Natal na lleader magazine e aquelas coisas.

Eu quase não vejo os canais abertos então praticamente não vi nenhum comercial esse ano. E fui pega totalmente de surpresa quando no meio de novembro eu entrei no shopping e o encontrei decorado para o natal.

O natal não chegou para mim esse ano. E não tenho certeza se vai chegar.

Pela primeira vez na vida, minha família tem se telefonado para saber o que vamos fazer no natal. Uma viagem já está certa, mas ainda não sabemos bem para onde. O certo é que esse ano não tem casa da vovó, não tem zona na cozinha da vovó, não tem presentes da vovó. Não tem vovó.

E o natal não vai chegar.

E eu não quero nem pensar no reveillon. Planejo dormir no dia 30 e acordar só dia 2.

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