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Aug. 18th, 2009

All Star

É sempre amor, mesmo que mude


Um suspirar cansado. De ambos. Suas testas se encostaram de leve.

“Podia ser mais fácil.” Uma voz murmurou baixinho.

Era a sua.

“É, podia.” Respondeu sem sorrir.

(retirado de uma fic)

 

 

*

 

 

Algumas coisas nunca mudam.

 

Cinco anos é tempo suficiente para alguém terminar uma faculdade. Para uma pessoa não conseguir lembrar o nome ou o rosto de alguém. Para uma ferida sentimental cicatrizar. Ou sangrar ainda mais.

 

Cinco anos e as sapatilhas podem se perder, mas a dança continua a mesma, com aqueles passos que o corpo reconhece. A academia continua a mesma, uma nova pintura ali, umas fotos novas na parede aqui, mas surpreendentemente o mesmo chuveiro, a mesma falha no linóleo que você reparou um dia, o mesmo som.

 

Cinco anos e as pessoas continuam as mesmas. Alguns centímetros mais altas ou com uns fios a mais de cabelos brancos. Quem era boa continua boa, quem era medíocre continua tentando. Alguém que não sabia o que fazer continua sem saber o que fazer. Só que agora o cenário é novo, está na faculdade, no emprego novo, num novo país.

 

Cinco anos e as sensações que pareciam perdidas estão de volta. O pé descalço no linóleo. Folhear um livro antigo e rele-lo. A conversa com o melhor amigo que voltou para sua vida. A boca que reconhece a outra boca, como se nunca tivessem beijado outras bocas.

 

Cinco anos e desapego continua sendo desapego, apesar de doer mais. Êxtase continua sendo êxtase, apesar de ser melhor. As feridas ainda sangram, só que você quer estancar. O amor ainda é amor e ainda dói.

 

Cinco anos e suas coisas favoritas ainda são favoritas. Mas algumas você não pode mais fazer, o que faz o mundo parecer cruel. O mundo já era cruel há cinco anos atrás e nos cinco antes desses e em milhares de cinco anos anteriores.

 

Algumas coisas nunca mudam. Só trocam de tênis.

Nov. 30th, 2008

Chuva

Musica para faxina

Minha faxineira foi ter neném. Minha casa estava um nojo e uma zona.  Tive que fazer algo a respeito.

Minha sorte é que o Jorge como um bom namorado participativo quis me ajudar.  Então, armados com vassouras, panos molhados e mais todo o arsenal que é necessário para uma faxina, começamos a limpeza ao som de Blind Guardian.

Eu fico pensando o que os vizinhos pensaram de nós. Não que eu me importe minimamente, mas ia ser divertido saber o que rock e faxina sábado a noite ocasionaram nas cabecinhas arrogantes e retrógadas dos meus vizinhos.

Mas não era isso que eu queria falar.

Eu ia falar sobre  as coisas que você acha quando arruma a casa. Uma blusa minha sumiu e nunca mais foi encontrada mesmo depois de toda a arrumação, acho que nunca mais a verei de novo.  Mas em compensação, eu achei uma pilha de cd’s virgens e uma pilha de cd’s originais das mais diferentes bandas/cantores que eu tinha trazido há tempos da casa da minha vó. Já foram para juntos dos outros cd's e agora estão felizes e organizados...

Acabei arrumando os livros que estavam dentro de sacolas a meses. Passei todos para a estantes. Agora eu tenho prateleiras cheias de livros que eu nunca li e, como tudo indica, que eu nunca terei tempo de ler.

Achei as fitas com minhas apresentações de balé também, mas como eu não tenho vídeo e nem sei de ninguém mais que tenha, acho que não adiantou muita coisa achá-las. Completando a sessão “relembrando os velhos tempos”, achei também o crachá da minha mãe quando ela foi escrava trabalhou lá na ABL. Com uma foto super engraçada, mas o crachá é igual ao meu! ^^

Achei o último presente que eu dei para a minha avó antes de ela morrer. E resolvi parar de achar coisas.

Estou cansada, sem tempo e com muita coisa para estudar. Eu sou um zumbi. E o que eu menos preciso é ficar achando coisas. Foda-se a blusa, não gostava dela mesmo.
 

 

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