Meio bonita. Meio antiquada. Meia estação.
Lembra que eu falei que esse blog seria uma válvula de escape? Pois é. Fiquei sem tempo.
Escrever é meio viciante. Não teve um dia que eu tenha ficado sem postar aqui que eu não tenha pensado em postar aqui. Escrevo altos textos na minha cabeça, mas não tenho tempo de digitá-los.
A situação está ficando crítica e vocês realmente vão me ver mais por aqui.
Mas hoje eu não tenho nada meu para por aqui. Não por falta de idéias, mas porque eu achei algo melhor. Algo que se tivesse escrito por mim, não teria tanto de mim. Esbarrei nele sem querer no Orkut, tentei mesmo descobrir de quem é, mas eu tenho apenas umas informações não muito confiáveis de que foi tirado de um Zine, o Zine Vanilli.
Entrei no tal site, que está desativado, e peguei os arquivos. As meninas de lá definitivamente não têm os mesmo ideais que eu, mas têm ótimos textos.
Chega de enrolar.
***
Você sabe de quem eu estou falando. Ela chega, te cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Ela tira os óculos e você tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela. Você não grava os nomes.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
Em casos leves, você pensaria 'ela é quase bonita'. Em casos com certa gravidade, você diria 'ela tem um tipo bastante especial'. Se fosse feia, você não estaria aí pensando nela ou observando seu modo de cruzar as pernas. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, rápido demais, e quem sabe se ela não tivesse essa mania de esconder os olhos.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Você acordou todos esses dias, sentiu-se solitário, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar suas mãos. As meninas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe confortável, contente, ou triste. De preferência alguém a quem você ainda não ame pra poder falar abertamente sobre sua teoria de amor latente, amor que já habita algum determinado espaço e apenas não foi direcionado a algum alvo específico. Amor que já existe e você não encontra alguém com quem dividir.
Poderia ser essa menina, se ela não roesse as unhas. Se ela não tingisse o cabelo dessa cor. Se você tivesse coragem. E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, meio bonito. Meio antiquado. Meia estação..
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É isso.
E a vida segue. Frenética. Como sempre.

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